Crônicas

O Homem Perverso

Esta é a história de um homem perverso! Mais um homem perverso…

O que há de mais trágico na humanidade é que, de tempos em tempos, sempre um homem perverso assume o controle das coisas! 

E, como todos os homens perversos, quer controlar todas as coisas!

Como todos os homens perversos, não gosta de outros homens, seus semelhantes! Gosta de sua própria imagem! Gosta da adulação!

Como todos os homens perversos, detesta livro, prefere queimá-los, comê-los, rasgá-los…

A sua coerência é a bestialidade, por isso, odeia as palavras e o diálogo! Prefere sempre o monólogo!

Como todos os homens perversos, dissolve melodias! O que interessa é apenas uma nota, a sua própria!

Detesta arte e cultura, pois simplesmente, não aceita que a diversidade é essência de todo artista!

Como todos os homens perversos, se sente superior mesmo aos outros, considerando toda e qualquer criatura que não possua o seu padrão, um ser fraco, inútil e, portanto, descartável!

Assim, engolindo pessoas e ideias, atropelando bom senso e razão, este novo homem perverso estabelece mais um tempo de loucura! Mais um tempo de perseguição!

Por fim, como todos os homens perversos, não sabe parar e não para!

E, ao não saber ou não querer parar, leva o mundo para a estupidez da guerra, para a tragédia, para o caos…

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

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